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12 agosto 2021

A destruição da democracia brasileira; Por Paulo Briguet



Ontem à noite, quando a PEC do voto auditável foi derrubada, a imagem que me veio à mente foi a dos bombeiros que queimavam livros em Fahrenheit 451. Quando queimavam os livros, os bombeiros da obra de Ray Bradbury estavam simbolicamente destruindo a inteligência humana.

Ao rejeitar a transparência nas eleições, mesmo depois de todas as revelações sobre a fragilidade do sistema, 284 parlamentares, mais da metade da Casa de representantes do povo, agiram como os bombeiros de Fahrenheit 451, e assinaram a sentença de morte da democracia brasileira. Mas, para destruí-la definitivamente, os políticos precisam exterminar a nossa inteligência e a nossa percepção da realidade. Se fizerem isso, podem fazer qualquer coisa.

Podem decidir se você vai ou não sair de casa, frequentar os lugares que quiser, comprar comida para sua família ou simplesmente trabalhar para sobreviver. Podem controlar todos os seus movimentos, conversas e contatos rotineiros. Podem catalogar as suas amizades, as suas preferências, os seus hábitos. Podem escolher o que você come, o que você bebe, o que você compra e o que você rejeita. Podem quebrar o seu sigilo bancário, telefônico, telemático, médico, profissional, talvez até o confessional. Podem definir como você vai educar seus filhos, como vai cuidar dos seus bens e até como vai tratar do seu cachorro. Podem legislar sobre as suas opiniões, crenças e comportamentos. Podem determinar os medicamentos e as substâncias que você deve tomar obrigatoriamente ou não deve tomar nunca. Podem vigiar e regular, nos mínimos detalhes, a sua relação com o meio ambiente e com a coletividade. Podem legislar sobre suas palavras e pensamentos. Ah, e podem botar você na cadeia, em caso de reclamação.

E sabe por que eles podem fazer tudo isso? Por um motivo muito simples: ninguém os controla. Esses 284 traidores, esses 284 covardes, esses 284 pulhas que negaram a você o direito de eleger quem quiser são os mesmos que aceitaram ser chantageados e comandados por um grupo de urubus travestidos de juízes e eleitos por ninguém. Quis custodiet ipsos custodes?

Há uma relação íntima entre duas frases que foram proferidas por dois controladores do Brasil, José Dirceu e Luís Roberto Barroso.

— E aí, nós vamos tomar o poder, o que é muito diferente de ganhar as eleições.

— Eleição em Roraima não se vence, se toma.

Evidentemente, a assessoria de comunicação do STF, também conhecida como grande mídia, saiu em defesa de Barroso, alegando que sua frase foi retirada de contexto e era apenas “uma brincadeira”. No entanto, a referência a Roraima agrava ainda mais a situação: estamos aqui lidando com um caso concreto, não com uma abstração. Trata-se de uma metonímia, não de uma metáfora: o presidente do TSE acredita que é aceitável tratar de maneira jocosa o processo eleitoral de um estado em que vivem 496.936 de irmãos brasileiros — além de milhares de irmãos venezuelanos refugiados do socialismo (vindos de um regime que vem tomando as eleições há mais de 20 anos).

O ex-díscipulo de João de d. foi o libertador de José Dirceu, “perdoando-o” por suas falcatruas no mensalão. Hoje vemos que isso não aconteceu por acaso; todo o comportamento do STF nos últimos anos — o Inquérito do Fim do Mundo, o Inquérito dos Atos Antidemocráticos, a usurpação da autoridade presidencial durante a pandemia, a libertação de hordas criminosas, a anulação dos processos do bicondenado e multirréu — tudo isso faz parte de um roteiro cuidadosamente traçado, no qual nós fazemos o papel das vítimas sacrificiais.

No livro Introdução ao Cristianismo, o papa emérito Bento XVI conta a história de um circo itinerante que pegou fogo nos arredores de uma aldeia. O palhaço, com suas vestes de palco, corre até a aldeia e, desesperado, pede a ajuda dos moradores. Mas, ao ver aquele homem vestido de palhaço, acham que tudo é uma encenação, mera propaganda do circo. Como ninguém acredita no palhaço, o incêndio do circo se alastra pela região, destrói a aldeia e mata todos os seus moradores.

Nós, conservadores, somos hoje esse palhaço. E a aldeia é a democracia brasileira.
 


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