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13 junho 2021

Retomada da economia atrai investidor estrangeiro para a Bolsa brasileira



A onda de otimismo com a recuperação da economia brasileira em 2021 chamou a atenção dos investidores estrangeiros e impulsionou o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, a ultrapassar a linha histórica dos 130 mil pontos. A expectativa de retomada se soma a um momento de confiança internacional após a eficácia das campanhas de vacinação, a reabertura das principais economias globais e o recente boom das commodities. O sentimento de tranquilidade com a recuperação do mundo após o choque da Covid-19 também aumenta a propensão dos investidores em tomar risco, e direciona boa parte desse dinheiro para os mercados de países emergentes, como o brasileiro. O volume da entrada de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, a B3, entre janeiro e maio deste ano traduz esse movimento. Nos cinco primeiros meses, os investidores de fora do Brasil deixaram R$ 35,2 bilhões na Bolsa (saldo entre aplicações e resgates), enquanto no ano passado o mesmo período fechou com a retirada de R$ 64,6 bilhões. Para analistas, a conjuntura de expansão das atividades domésticas e a gradual recuperação internacional deve continuar puxando o Ibovespa para cima e aproximar o índice da linha de 150 mil pontos até o fim deste ano.

O Ibovespa acumula alta de 8,4% entre o início de janeiro e esta sexta-feira, 11, quando fechou aos 129.441 pontos. O índice perdeu um pouco do fôlego nos últimos dias, como já era esperado, depois de engatar a sequência inédita de seis recordes seguidos entre 28 de maio e 7 de junho — quando atingiu o topo histórico de 130.776 pontos. O momento de otimismo ocorreu em meio as sequentes revisões do mercado para a recuperação da economia brasileira em 2021 e a volta das discussões da agenda de reformas e privatizações. O Boletim Focus, que reúne as expectativas de mais de cem instituições financeiras, alterou para cima a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) por sete semanas seguidas. A mudança do humor se tornou ainda mais forte após a divulgação de alta de 1,2% da economia no primeiro trimestre, resultado acima do esperado pelos analistas do mercado financeiro. “Essas boas notícias abrem uma janela de oportunidades para o Brasil, e essa alta na Bolsa é corroborada pela volta dos investimentos por causa desse cenário mais favorável”, afirma Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas Investimentos.

A recuperação da economia brasileira ocorre em um compasso diferente das grandes economias globais. Fora a China — que desde o ano passado já indicava a retomada das atividades —,  a maior parte do mundo começou a voltar aos eixos no início de 2021. Esse movimento antecipado torna esses mercados menos atrativos para os investidores, uma vez que o preço dos ativos já se recuperou após a dissipação do grosso das incertezas. No Brasil, o processo está começando agora, o que torna a Bolsa mais barata e atrativa. “Os investidores estão buscando mercados e ativos que tenham oportunidades de lucros maiores. O Brasil pega esse tempo posterior com a queda dos riscos, mas mesmo assim ainda mais arriscado que os mercados de países desenvolvidos, o que ajuda na geração de ganhos”, afirma Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos.

A transição do eixo de investimentos também favorece o mercado acionário do Brasil. As mudanças de comportamento forçadas pela pandemia direcionaram o foco dos investidores para as empresas de tecnologia e inovação, os setores que mais tendiam a se valorizar com o “novo normal” gerado pelas restrições ao funcionamento dos comércios e circulação de pessoas. O retorno gradual ao “velho normal”, no entanto, voltou a tornar mais atrativo os ativos tradicionais, como de setores extrativista, financeiro e imobiliário, que formam a maioria das ações da Bolsa. O boom das commodities, principalmente o minério de ferro e o petróleo, deu um impulso a mais, favorecendo grandes referências do mercado brasileiro, como a Vale e a Petrobras. “A nossa Bolsa não é tão diversificada como a dos Estados Unidos ou da Europa. Isso também faz com que esse movimento se desloque desses ativos com o melhor desempenho durante a pandemia e venha para os que vão se beneficiar com a retomada”, afirma Jaconeli.

O bom humor gerado pela surpresa com a resiliência da economia nacional, além da volta das discussões da agenda de reformas e privatizações e a calmaria política tende a manter o otimismo. Porém, por ora, o cenário é muito mais de perspectivas do que de realidade. E, como diz um velho ditado do mercado financeiro, “a Bolsa sobe no boato e cai no fato”, caso esse cenário não se concretize, analistas não duvidam de uma queda do Ibovespa tão vertiginosa quanto a subida. “Poderíamos ter muito mais se tivéssemos aquilo que o mercado clama, como a agenda de reformas. O fortalecimento desse momento positivo depende da confiança que os investidores estrangeiros terão na manutenção deste cenário”, afirma Cristiano Corrêa, coordenador e professor do curso de Administração do Ibmec. Indícios de que a imunização contra a Covid-19 pode sofrer atrasos ou de que as contas públicas terão novo rombo com gastos irresponsáveis também podem ser fontes de inquietações e motivos para afugentar o capital estrangeiro. Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que a alta liquidez das ações permite uma saída rápida dos investidores. “O cenário está favorável, mas, se não houver perspectivas de o Brasil resolver as suas questões fiscais, pode motivar a saída”, afirma.




Por Gabriel Bosa

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