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25 fevereiro 2021

Na guerra contra a fé, Partido Comunista da China prende pessoas e queima livros de religião

O Partido Comunista da China (PCCh) continuou seu amplo ataque à fé durante a pandemia, queimando e destruindo livros religiosos, enquanto prendia pessoas devido à posse de literatura religiosa. É o que divulgou, nesta quarta-feira (24), o pastor chinês-americano e fundador da organização sem fins lucrativos chinesa China Aid, Bob Fu.

O PCCh supostamente reconhece formalmente cinco religiões: budismo, taoísmo, islamismo, catolicismo e cristianismo, entretanto impõe regras estritas sobre como essas organizações religiosas devem operar, forçando frequentemente milhões de fiéis a prestar culto em lugares subterrâneos.

Para esses crentes – budistas tibetanos, cristãos, muçulmanos uigures ou praticantes do Falun Gong – ler, imprimir ou distribuir materiais religiosos pode resultar em penas de prisão, trabalho duro e outras formas de abuso. Muitos estão sujeitos a monitoramento de rotina e assédio por agentes do Estado, que muitas vezes invadem suas casas sem aviso para apreender e destruir seus livros.

Essas violações da liberdade religiosa levaram o Departamento de Estado dos Estados Unidos a designar o regime chinês como um “país de particular preocupação”.

As políticas repressivas só se intensificaram nos últimos anos. Em 2016, o regime aprovou um regulamento proibindo explicitamente seus cerca de 90 milhões de membros do partido de terem crenças religiosas, se envolver em atividades “supersticiosas feudais” ou apoiar extremistas religiosos, ou separatistas raciais – como muçulmanos uigures.

Isso apesar da Constituição chinesa garantir aos seus cidadãos os direitos à “liberdade de crença religiosa” e de se envolver em “atividades religiosas normais”.

“O líder comunista chinês Xi Jinping e seu regime engendraram a pior perseguição religiosa desde o fim da Revolução Cultural do presidente Mao na década de 1960”, disse Bob Fu.

Durante a pandemia, as políticas religiosas radicais do regime foram levadas a cabo, já que os fiéis da China continuam a sofrer represálias do governo pelo mero ato de manter, produzir ou distribuir materiais de suas crenças.

“O regime de Xi usa constantemente a pandemia como pretexto para mais repressão contra qualquer fé ou religião independente na China”, disse Fu.

Chen Yu, dono de uma livraria cristã da cidade chinesa de Taizhou foi sentenciado a sete anos de prisão, em outubro de 2020, e multado em 200 mil yuans (US$ 29.450). Seus clientes de três províncias relataram invasões domiciliares pela polícia que apreendeu seus livros religiosos. O suposto crime de Yu foi vender livros religiosos não aprovados importados de outros países.

“Esta é uma guerra contra a fé”, disse Fu. “A história nos disse que esta guerra está fadada ao fracasso”, finalizou o líder religioso.


Terça Livre

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