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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Uma peça de propaganda enganosa vai à noitada do Oscar fantasiada de documentário

Filmes de ficção não têm compromisso com a verdade, mesmo que se baseiem em acontecimentos históricos. Documentários que prometem resgatar momentos relevantes da vida de um país não podem trucidar a realidade com fantasias, omissões e outros instrumentos de tortura dos fatos. Não podem fazer o que fez a cineasta Petra Costa da cena de abertura aos créditos finais de Democracia em Vertigem.
A obra indicada para a disputa do Oscar de melhor documentário é uma peça de propaganda enganosa, forjada para absolver o PT dos pecados mortais que cometeu e, sobretudo, transformar o impeachment de Dilma Rousseff no mais infame golpe de Estado.

Para provar que a democracia em vertigem já foi assassinada, e sugerir que vem aí a proclamação da ditadura, Petra capricha nos quatro papéis que desempenha. Com a ajuda do fotógrafo oficial de Lula, a produtora conseguiu boas imagens, várias delas inéditas, todas simpáticas ao ex-presidente e seus devotos. A roteirista seguiu a fórmula do faroeste à brasileira: bandido vira mocinho, o xerife é o vilão, roubar é a segunda preferência nacional desde a chegada da primeira caravela. Assim, a Mãe dos Ricos é travestida de Pai dos Pobres, a heroína não fala coisa com coisa só para enganar o inimigo.

A diretora encadeia imagens que escancaram o confronto entre o Bem e o Mal, os generosos e os desalmados, as vítimas descamisadas e os verdugos de fraque ou farda. E a narradora completa a vigarice. Filha de Marília Andrade, herdeira da Construtora Andrade Gutierrez, enfiada até o pescoço na ladroagem do Petrolão, Petra agride a verdade histórica com a voz de órfã condenada a envelhecer num asilo. Comovida com o calvário de Dilma, que divide a cruz com o padrinho, a narradora contorna ou ignora, com ligeireza de punguista, tudo o que poderia complicar a versão insustentável. Faltou espaço para as pedaladas de Dilma, as cretinices declamadas pela cabeça baldia que inventou o dilmês, as bandalheiras de Lula e lulinhas. Faltou tempo para informar que o Brasil foi saqueado impiedosamente pelo maior esquema corrupto de todos os tempos.

Sempre apressada, Petra apenas tangencia as delinquências praticadas por parentes, que atribui à ala direita da família. E acentua o tom lamuriento quando as imagens mostram o chefe da quadrilha a caminho da gaiola em Curitiba ou quando os olhos lacrimejantes da mais carrancuda governante do Brasil ameaçam molhar a tela. A última frase do documentário informa que Lula permanece preso. Escolhida para sublinhar o final infeliz (para a autora), agora só serve para a advertência aos espectadores: o que viram já é coisa velha. Vai desembarcar em Los Angeles, para a noitada do Oscar, com cara de anos 60. Dilma, aliás, já manifestou o desejo de comparecer à cerimônia. Tomara que vá — e, caso Petra ganhe a estatueta, suba ao palco para dividir com a autora a discurseira de agradecimento.

A plateia não conseguirá entender uma única frase do palavrório sem pé nem cabeça da inventora do dilmês. Mas talvez comece a desconfiar que acabou de testemunhar o triunfo de uma fraude.



AUGUSTO NUNES Do R7 

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