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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Mais de 70% dos casos de câncer de bexiga estão ligados ao cigarro

Mais de 70% dos casos de câncer de bexiga estão ligados ao cigarro, segundo o urologista Francisco Kanasiro, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia Regional SP. Isso porque as substâncias tóxicas do cigarro são eliminadas pelo rim, agredindo a parede da bexiga. A prevalência é em pessoas acima de 60 anos.


"Já o câncer de bexiga não relacionado ao tabagismo ocorre em pacientes mais jovens ou mais velhos. Abaixo dos 50 anos acredita-se que pode haver alguns genes envolvidos. Já a partir dos 80 está relacionado ao envelhecimento do corpo", afirma.

Outros fatores que facilitam o desenvolvimento desse tipo de câncer são exposição à radiação, como na radioterapia, infecção urinária com muita frequência e trabalhar com produtos químicos derivados de petróleo, como o benzeno. "A primeira causa desse tipo de câncer é o cigarro, seguida por trabalhadores que têm contato com benzeno", explica.

O câncer de bexiga é considerado raro, porém agressivo, de acordo com o urologista. A doença afeta mais de 9 mil brasileiros, sendo 6,6 mil homens e 2,7 mulheres, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer). Levou 3.905 pessoas à morte em 2015, boletim mais recente do Atlas de Mortalidade por Câncer. Julho é considerado o mês da conscientização desse tipo de câncer.

O principal sintoma é a presença de sangue na urina, a chamada hematúria, comum a diversos problemas do trato urinário, como pedra no rim e infecção urinária, de acordo com Kanasiro.

"O principal sintoma do câncer de bexiga é a presença visível de sangue na urina, sem apresentar dor, diferentemente da infecção urinária, por exemplo, em que o sangue na urina é microscópico e, portanto, só constatado por meio de exame laboratorial, além de manifestar outros sintomas, como febre e dor ao urinar", explica.

O urologista afirma que, quando outras doenças do trato urinário são descartadas, por meio de ultrassom, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, é realizada a citoscopia, exame no qual é introduzido uma câmera na bexiga por meio da uretra, com anestesia local. "Tumores com menos de 0,5 cm não são detectáveis em exames de imagem. Já na citoscopia, além de o tumor ser visto, é possível realizar sua biópsia e até retirá-lo", diz.

A biópsia é capaz de revelar se o tumor é superficial ou invasivo em relação à parede da bexiga. Segundo o urologista, a quimioterapia só é indicada em casos de tumor invasivo e metástase. Quando se prolifera, o tumor pode afetar linfonodos, pulmão e fígado. Outra indicação para o tumor invasivo pode ser a retirada da bexiga com reconstrução do órgão.

A construção de nova bexiga, chamada de noebexiga, é feita com um segmento da alça do intestino delgado, moldado em formato parecido com o da bexiga.

"Em caso de paciente muito idoso que não seja possível a retirada da bexiga, é realizado tratamento que combina radioterapia com quimioterapia", explica.

O câncer de bexiga está entre os tipos de câncer beneficiados pela imunoterapia. Esse tratamento se dá por meio de medicamentos que fazem com que o próprio sistema de defesa do organismo reaja às células cancerosas, combatendo-as.

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"A imunoterapia já consagrada é feita de bacilos de tuberculose atenuados, é chamada de vacina onco BCG. É indicada apenas em casos de tumor superficial para evitar que ele volte", explica o urologista.

A aplicação é feita por meio de uma injeção na bexiga, introduzida por sonda pela utretra, com anestesia local. É aplicada uma vez por semana, por seis semanas.

"Nunca é tarde para parar de fumar. Quanto mais cedo se larga, mais se aproxima do risco de desenvolver câncer de quem nunca fumou", finaliza.



Por Deborah Giannini, do R7

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