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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Lixo: Do caos à salvação do meio ambiente

Não se trata apenas de vestir um fardamento, um cotidiano de luvas, botas e toucas. Não se trata apenas de representatividade. É sobre coragem. Coragem para ajudar a transformar o caos em matéria-prima em meio a uma parcela populacional despreparada para contribuir.

Trata-se de resultados. O trabalho da reciclagem no Brasil tem sido um instrumento fundamental para o desenvolvimento ambiental do país, já que os brasileiros geram, em média, 60 milhões de toneladas de resíduos sólidos (conhecidos erroneamente por lixo), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além de contribuir de forma positiva ecologicamente, a reciclagem organizada fornece emprego para muitas pessoas, fazendo funcionar também a economia local.
Com base nisso, o Portal Correio conheceu um pouco mais de como se dá esse trabalho na cidade de Campina Grande e como a população pode participar diretamente nessa ação.

Cooperativas contribuem com a reciclagem

Em Campina é possível encontrar cinco cooperativas de materiais recicláveis, que colhem diariamente toneladas de resíduos. Ainda segundo a professora, tem que haver uma preocupação em separar os resíduos, o que se nomeia de ‘coleta seletiva’, para realizar o processo da separação dos materiais nas fontes geradoras, principalmente em três grupos, sendo esses em resíduos sólidos (materiais possíveis de reciclar), resíduos úmidos (que podem virar adubo) e a parcela de material não reciclável, chamada de ‘rejeito’ e considerada lixo.

O lixo da cidade é encaminhado para o aterro sanitário; a prefeitura paga pela coleta e pelo aterramento dos resíduos sólidos, depois há uma separação desses materiais nessas três partes.

“A parcela reciclável seca deve ser encaminhada para os catadores de materiais recicláveis. Logo, ele não é catador de lixo”, explicou Mônica Maria Pereira, bióloga e professora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

A importância do catador

Ainda sobre a necessidade da profissão para o meio ambiente, ela enfatiza que, de imediato, pode-se encontrar duas importâncias para o trabalho do catador de materiais recicláveis. “Manter o ambiente limpo, já que ao colher esse material na fonte e levá-lo para a sede, galpão ou local de triagem, ele está favorecendo aquele ambiente, para que permaneça limpo e aquele material não fique nos terrenos baldios, inclusive desfavorecendo a criação mosquito da dengue”, alerta a Mônica.

“A outra importância está exatamente em devolver à indústria o resíduo reciclável na forma de matéria-prima. Então o que acontece com o material reciclável? Esse material deixa de ser lixo, porque ele não foi enviado de forma incorreta e foi coletado pelos catadores, enviado e triado para a indústria. A indústria vai utilizar esse material enquanto matéria-prima e aquilo que seria lixo, transformou-se em matéria-prima, aí nós temos uma economia significativa de recursos naturais e também de recursos humanos”, disse a bióloga e professora.

Cidadania unida a trabalho

O catador de material reciclável destina corretamente os resíduos, contribuindo para um ambiente mais limpo, devolvendo para indústria a reciclagem de materiais enquanto matéria-prima, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e favorecendo a circulação econômica para gerar renda.

Maria do Socorro já tem uma década de trajeto com a reciclagem, e não mede esforços, tem paixão pelo que faz. Sabe o que significa.

A gente limpa o meio ambiente. É um trabalho digno o que a gente faz e a gente gosta muito. Para mim não tem outro serviço a não ser esse, por que eu estou limpando o planeta. Ainda tem quem polua, só que a gente está tentando despoluir”.

Maria trabalha com mais 13 mulheres na cooperativa em que atua, a Catamais, e brinca com esse detalhe. No geral, elas chegam a arrecadar mensalmente de nove a 12 toneladas de materiais.

Às vezes os homens dão trabalho demais, somos todas mulheres e trabalhamos bem”. 

Porta a porta

O trabalho porta a porta nas residências, empresas, construtoras e demais parceiros agiliza o processo da reciclagem e agrega positivamente aos catadores. Para a professora Mônica, é aí que está uma das maiores fragilidades acerca do assunto, havendo uma falta de compromisso da população em separar os materiais por não se entender enquanto responsável pela destinação correta de seus resíduos sólidos.

“Por outro lado, nós temos a omissão do poder público. A lei 12.305 de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, diz que todo aquele que gera resíduo é responsável, e os gestores públicos devem dar condições para que os resíduos sólidos sejam destinados e dispostos corretamente, e nesse caso, para que isso aconteça tem que ter a inserção dos catadores recicláveis, então se o gestor não tem esse compromisso ele não dá condições para que o catador de material reciclável possa trabalhar”, argumentou.

“Outra coisa importante, quando há a destinação correta dos resíduos e a gente consegue dar o destino certo, principalmente para os catadores, a gente está evitando diferentes impactos negativos, então são vários impactos positivos provocados pela ação dos catadores”, disse.

Reduzindo os problemas

A professora destacou que para resolver os problemas dos resíduos sólidos, é necessário se estabelecer um conjunto de ações. “O planeta encontra-se em uma crise severa, principalmente por conta da forma como a gente vem lidando com o meio ambiente. Um dos problemas que ocorre para essa crise é exatamente a questão dos resíduos sólidos, que comumente as pessoas confundem com lixo. Quando as pessoas confundem com lixo elas não têm a preocupação de dar o destino correto, então lançam no meio ambiente o material todo misturado”, relata a professora.

Ela aborda sobre como deve ocorrer o processo. “Começa com a redução da geração dos resíduos sólidos, a redução do material que viraria lixo, a coleta seletiva na fonte, a destinação para os catadores dos materiais recicláveis e o tratamento da parcela orgânica, que deve ser devidamente aterrada”.

E continua. “Se essa parcela aterrada não for tratada devidamente, ela vai produzir chorume e gás metano e também vai contaminar tanto os catadores quanto os garis, ou mesmo o material que poderia ser aproveitado para ser enviado para a indústria, uma vez que os resíduos sólidos e orgânicos contém patogênicos, a exemplo de ovos de helmintos, assim como vírus, bactérias… São aqueles organismos que provocam doenças”.



Reportagem: Mayara Oliveira
Montagem e edição de texto: Nice Almeida
Imagens: Chico Martins e Mayara Oliveira

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