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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Família de JP aposta em negócio sustentável que economiza 2,3 mi de litros de água por mês

Uso racional da água. Esse é um dos temas mais indispensáveis e discutidos atualmente, frente ao aumento da quantidade populacional e das alterações climáticas que estão provocando secas devastadoras, não só nos interiores, mas nas grandes cidades do mundo. 

Se as notícias sobre o futuro do meio ambiente parecem assustadoras, uma lavanderia de João Pessoa ameniza esse temor, levantando a bandeira da sustentabilidade e até absorvendo custos para criar um negócio que economiza mais de 2,3 milhões de litros de água por mês.


A Nepomucky Higienização Sustentável explicou como trabalha para o reaproveitamento da água e expôs as vantagens de se ter um negócio voltado à preservação do meio ambiente - mesmo com a crise econômica do país - diante de um mercado famigerado por lucros e que, muitas vezes, enxerga investimentos como gastos. A exposição foi aberta a jornalistas e hoteleiros durante a sétima edição do Festival de Turismo de João Pessoa, que ocorreu no Centro de Convenções nos dias 20 e 21 deste mês.

Comandada pelos empresários Ana Célia, Bruno e Thiago Nepomuceno, a empresa nasceu em 1º de dezembro de 2016 e atende cerca de 30 hotéis na Paraíba, com sede no Distrito Industrial em João Pessoa.

A exposição começou com a entrega de kits contendo uma sacola e uma garrafa de água. “Começamos querendo mostrar uma mensagem com esse kit. A sacola é biodegradável e a água é o nosso bem indispensável”, disse Bruno Nepomuceno, filho de Ana e irmão de Thiago.

O empresário mostrou imagens da estação de tratamento que a família montou para o funcionamento do negócio e explicou que ele nasceu sob dificuldades. “Quando tivemos a ideia e começamos a buscar informações, nos diziam que seria um ‘custo perdido’”, disse, reafirmando que o compromisso da empresa é com o meio ambiente e que, por isso, abriu mão de altos lucros e investe capital próprio, sem repassar custos para os clientes. “Estamos tentando cuidar das pessoas, ter uma política para cuidar do ambiente e fazer um trabalho qualificado”, completou.

A estação de tratamento reaproveita 90% da água. Os outros 10%, explica Bruno, são dispensados nos jardins e o resíduo sólido é destinado à indústria para incineração. “Nosso compromisso é deixar tudo muito limpo, inclusive o planeta”, conta o empresário, ao citar o lema do negócio, que utiliza equipamentos de última geração para reduzir ao máximo os impactos no meio ambiente.

“As máquinas modernas proporcionam maior desempenho na hora de higienizar e conservar os têxteis, sempre cuidando para que o trabalho provoque o menor impacto possível no meio ambiente”, ressaltou a diretora, Ana Célia Nepomuceno. 

Segundo Bruno, para cada quilo de enxoval, são consumidos 14 litros de água, mas desse total, 11 litros são reaproveitados e os outros três litros saem da torneira. Por dia, são 77 mil litros de água economizados e o saldo mensal chega a 2,3 milhões de litros, quantidade que seria suficiente para 414 pessoas - levando em conta que cada brasileiro consome, em média, 185 litros de água por dia.

O enxoval é transportado em sacos de algodão colorido, amplamente produzido e pesquisado na Paraíba. “É matéria-prima paraibana e importante para a economia, para o artesanato, mas pouco valorizada”, disse Bruno ao defender o produto.

Entraves

Gratos aos cerca de 30 clientes que entendem a proposta sustentável do negócio, os empresários criticam aqueles que ignoram a ideia. Eles também lamentam pelas burocracias que impedem que o processo de conscientização seja mais amplo.

Bruno falou que teve dificuldades de conseguir, por exemplo, refugiados para fechar o quadro de funcionários, porque não teve autorização dos órgãos responsáveis. Sobre levar a conscientização não só para empresários, ele disse que há ideias para que isso seja expandido, por exemplo, para Organizações Não Governamentais (ONGs), mas como a empresa tem pouco tempo no mercado e o Brasil impõe muitas burocracias, esse processo pode levar mais tempo para que seja efetivado. “Estamos bolando propostas e buscando parceiros. As burocracias ainda são intransponíveis, mas só por questões de tempo”, enfatizou.

Ele falou que um dos maiores desafios é estimular as pessoas a terem interesse pela sustentabilidade. “’Ninguém’ sabe o que está acontecendo; há entraves… Tem gente que nem sabe que há açudes secos, como se não fosse problema nosso. João Pessoa pensando em Campina Grande, pra quê?”, ironizou, alertando para a grave falta de sensibilidade de muitas pessoas quanto aos problemas ambientais quando eles parecem acontecer apenas de longe.

A empresa espera ter mais tempo no mercado para viabilizar novas ideias, vencer as burocracias e ampliar o leque de sustentabilidade. “Ainda gastamos muito gás e energia elétrica. Isso nos incomoda muito! Queremos instalar energia solar, mas ainda precisamos avaliar os custos. É algo que pretendemos mudar. Esperamos que na próxima feira a gente traga mais novidades sobre sustentabilidade”, finalizou.

Situação hídrica da Paraíba

A Paraíba possui 196 cidades em situação de emergência, decretada pelo governo do Estado em 3 de outubro deste ano e reconhecida pelo governo federal no dia 20. A medida permite reduzir burocracias para que o Poder Público possa tomar ações mais rápidas para socorrer cidades que tenham colapso no abastecimento.

De acordo com relatório da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), dos 127 açudes monitorados pela agência, 35 estão com capacidade superior a 20%; 40 estão em situação de observação, com capacidade entre 20% e 6%; e 50 (entre eles 15 totalmente secos) estão em situação crítica, com capacidade menor que 5%. Apenas dois açudes estão sangrando: o Olho d’água, que fica em Mari; e São José II, que fica em Monteiro.

O estado recebe água da tranposição do São Francisco, mas a obra ainda é recente e não foi suficiente para resolver todos os problemas hídricos do interior.

Festival de Turismo

O sétimo Festival JPA de Turismo ocorreu no fim de semana em João Pessoa, com o objetivo de levar para cerca de 6 mil visitantes a integração do setor de viagens e turismo em todo o país, além de oferecer novos produtos ao mercado.

Mais de 3,5 mil profissionais participaram nos dois dias, durante uma programação que incluiu visita aos 223 estandes, workshops, fóruns de discussão, capacitações e rodadas de negócios. 



Por Alisson Correia

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