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Posso visitar meu pai idoso no Dia do Pais? Médicos não recomendam

Embora tenha sido flexibilizada, a quarentena imposta para frear o avanço da covid-19 já dura quase cinco meses.

E, diante da saudade dos familiares e da chegada do Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), muitos se veem diante de um dilema: devo ou não visitar meu pai idoso? Especialistas recomendam que esse ato seja evitado.

O pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirma que "continua valendo tudo igual", ou seja, a recomendação é ficar em casa. "Melhor não [visitar]. Os casos não estão diminuindo, a gente está estável, mas não estamos resolvidos", pondera.

Ele lembra que idosos fazem parte do grupo de risco da covid-19, o que significa que estão mais suscetíveis a desenvolver complicações por causa da doença e cita como exemplo dados da Prefeitura de São Paulo, que tem mais de uma a cada dez mortes no país e concentra 41,7% do total de óbitos no Estado de SP.

As informações municipais, atualizadas no dia 30 de julho, consideravam 9.752 registros de mortes confirmadas por declarações de óbitos. Dentre as vítimas, 55,8% são de pessoas com 70 anos ou mais e 56,7% (5.525) são homens. "Diante desses números, e como não tem vacina e tratamento [para a covid-19], o melhor é evitar [visitas]", orienta.

A infectologista Ingrid Cotta, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, concorda com Fiss. "O ideal é não visitar. Se a pessoa [filho] estiver em quarentena, tudo bem. Mas se ela estiver trabalhando e saindo, não. A pandemia continua e o isolamento social ainda deve ser adotado", enfatiza.

Ela aconselha os filhos a pensarem em formas alternativas de fazer contato com seus pais e demostrar afeto, como por meio de chamada de vídeo e mensagens de texto. "Mas não deixe de comemorar".

Para aqueles que, ainda assim, resolverem furar a quarentena para ver os pais pessoalmente, manter distância e usar máscara é obrigatório. Beijos e abraços estão proibidos: "Nada disso", adverte Fiss.

A visita também está vetada para idosos que tiveram covid-19, mas ainda têm fadiga e tosse. "Precisa discernir se é sequela ou sintoma ainda. Os pacientes precisam ser muito bem monitorados. Mas seria um risco para qualquer um", avalia Cotta.  De acordo com ela, se forem sintomas da doença, a pessoa ainda está transmitindo o vírus. 


Por Brenda Marques

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