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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Cigarro eletrônico faz mal, concordam quatro especialistas

Ele já foi muito alardeado como uma estratégia segura para quem quer parar de fumar, e, embora tenha venda proibida no Brasil, não é difícil comprá-lo na internet ou até em lojinhas de rua. 

No entanto, o cigarro eletrônico reúne hoje em torno de si um consenso entre especialistas: ele carrega, sim, substâncias que prejudicam a saúde, portanto o seu uso oferece riscos que incluem problemas cardiovasculares e câncer de pulmão. Até a indústria do tabaco admite isso.


A vantagem é que ele tem bem menos do que as 4.700 substâncias do cigarro convencional. Por isso, ajuda a diminuir o risco à saúde daquelas pessoas que não conseguem largar o vício de jeito nenhum. O novo mantra dos médicos e pesquisadores nessa área é “redução de danos”. O medo, no entanto, é de que a falsa sensação de que os e-cigars são seguros acabe estimulando o fumo entre pessoas que, de outro modo, nem se tornariam fumantes.

— Consideramos que o cigarro eletrônico é menos nocivo do que o tradicional, mas, ainda assim, nocivo. A melhor opção é não fumar, ou abandonar o fumo — destaca Tânia Cavalcante, médica do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e e secretária executiva da Comissão Nacional para o Controle do Tabaco (Coniq).

No Brasil, a venda desses dispositivos nunca foi permitida. A proibição oficial veio em 2009, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alegou não haver estudos científicos suficientes. Mas a previsão é de que o assunto entre novamente em pauta nas discussões da Anvisa até 2020. Isso porque o órgão incluiu o subtema “Novos tipos de produtos fumígenos – Dispositivos eletrônicos para fumar” em sua Agenda Regulatória 2017-2020, então, dentro desse período, o tema deverá ser aberto para consulta pública.

— Atualmente, temos a necessidade de nos posicionar cientificamente sobre esse assunto. Por isso é importante trazer a discussão para a academia — afirma Gisele Birman Tonietto, professora de Química da PUC-Rio e organizadora de um seminário sobre cigarro eletrônico realizado ontem na instituição. — Eu não conheço no Brasil linhas de pesquisa de química sobre o tema em universidades, e isso é algo que precisamos incentivar.

O primeiro cigarro eletrônico surgiu em 2003, inventado pelo farmacêutico chinês Hon Lik, que depois vendeu sua patente para a Imperial Tobacco, uma multinacional britânica.

No lugar da queima de folhas de tabaco, o dispositivo trabalha com uma bateria, um vaporizador e um cartucho, que é trocado por refis. Esse cartucho pode ser preenchido com um líquido composto de propilenoglicol, substâncias aromatizantes e nicotina — o elemento responsável pela dependência. Mas outras substâncias podem ser acrescentadas, já que a maioria dos países não tem uma legislação sobre isso.

Em nações como China e Reino Unido, a venda desses aparelhos é liberada. Outras como Dinamarca e França legalizaram a venda, mas com uma série de medidas restritivas, como o controle de publicidade — tal qual o que é feito em relação aos cigarros convencionais. Nos Estados Unidos, a comercialização e as regras de utilização variam de acordo com o estado.

Uma das principais polêmicas é sobre a eficácia de usar o cigarro eletrônico para parar de fumar. O usuário, em tese, pode colocar gradualmente menos nicotina no cartucho e, assim, deixar o vício em algum momento. Mas, em geral, as pessoas simplesmente não diminuem a quantidade de nicotina, o que as faz apenas trocar uma dependência por outra.

Além disso, como o cigarro eletrônico tem menos de 15 anos, ainda não há estudos que mostrem o efeito do seu uso a longo prazo.


O GLOBO

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