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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Quando a cidadania avança, o arbítrio recua

O pitoresco episódio da censura contra a revista Crusoé para uma coisa serviu. Mostrou que, a despeito da radical divisão política, para alguns valores o Brasil está unido. A liberdade de imprensa é um deles, como ficou demonstrado nas reações de todas as correntes e instituições.

Reações estas determinantes para o despacho em que o ministro Alexandre de Morares recuou da determinação de retirada de reportagem sobre documento de citação do presidente do STF, Dias Toffoli, em investigação em curso na Lava Jato, de Curitiba.


Como se sabe, não houve nenhuma ilegalidade, nenhum mandamento constitucional ferido pela publicação. Mesmo baseada em documento oficial, a matéria não fez ilação e nem acusação. Deu uma notícia. É verdade que embaraçosa para o presidente de um STF. Mas uma notícia.

O cerceamento da atividade profissional da mídia, mesmo esta vivendo o seu período de maior questionamento, fica provado; é um bem que a sociedade brasileira – apesar dos seus tempos turbulentos – não abre mão.

No fundo, o cidadão sabe que, ainda que com suas deformações, erros e defeitos, o jornalismo cumpre um papel insubstituível: a opinião plural, a informação e a revelação de muitos fatos que, não fosse o exercício jornalístico, passariam abafados e longe das vistas do público.

Obscurecer, cercear, dificultar e tolher essa atividade não é apenas censurar o jornalista, o veículo, o conteúdo, mas usurpar um direito precioso e vital para a plena democracia. Um direito que o País reivindica e não admite retrocesso. Felizmente, essas é uma das poucas questões ainda acima da dicotomia esquerda versus direita. Porque é, antes de tudo, uma questão de cidadania.

A polêmica nos lega uma lição. Quando a cidadania avança, o autoritarismo recua. O contrário também é verdadeiro. Se o arbítrio progride, a cidadania retrocede.



Por Heron Cid

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