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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Pioneiro na América Latina, observatório de Energia Escura será construído na cidade de Aguiar, Sertão da Paraíba

Um Observatório de Energia Escura, pioneiro na América Latina, será construído na cidade de Aguiar, na Paraíba. A ação busca usar ondas de rádio para mapear e descobrir detalhes sobre a energia escura, que preenche cerca de 95% do universo. O projeto intitulado de BINGO (sigla para BAO from Integrated Neutral Gas Observations) pretende utilizar ondas de rádio produzidas pelo hidrogênio para mapear a energia e matéria escura e assim investigar fenômenos do universo.


O Observatório será construído em uma área de 300m x 200m na região de Aguiar. O município foi escolhido por preencher as necessidades de baixa interferência por radiofrequência e também ser um local com horizonte alto e com um terreno inclinado. O BINGO será o primeiro radiotelescópio brasileiro a detectar oscilações bariônicas acústicas de rádio, contribuindo para o estudo da energia escura.

O projeto, orçado em cerca de R$ 18 milhões, tem vários parceiros como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Campina Grande, além de cooperação internacional do Reino Unido, China e outros.

De acordo com a secretária executiva de Ciência e Tecnologia, Francilene Procópio, o Governo do Estado colabora com o projeto com recursos financeiros a partir de uma ação via Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), que é uma parceria com o CNPQ na chamada pública que viabiliza 14 novos centros de excelência no Estado, um destes é o BINGO.

Ainda segundo Francilene Procópio, será preciso que haja, na Paraíba, a implantação de uma legislação em uma área do entorno do Observatório, visando manter por alguns anos o silêncio de microondas que é uma das características importantes para que o Observatório tenha condições favoráveis de trabalhar e capturar dados.

“A Paraíba demonstra, mais uma vez, sua capacidade de articulação com cientistas mundiais. O apoio da UFCG tem sido essencial no projeto, também houve a doação do terreno pela prefeitura de Aguiar para que o BINGO pudesse ser construído. Esse projeto pressupõe que a área geográfica onde os equipamentos sejam instalados tenham menor interferência, ou seja, uma área onde as microondas silenciam e Aguiar tem esta característica. Em 2019, o Observatório deve estar pronto e iniciar suas atividades”, disse Francilene Procópio.

O projeto é coordenado pelo físico teórico Elcio Abdalla, da Universidade de São Paulo (USP). O professor esclareceu que o projeto tem algumas metas, como olhar a estrutura em larga escala do universo e com isso ter informações suficientes para definir melhor o que é a parte escura dele. “O universo tem o que vemos com nossos olhos, que são objetos que interagem com a luz, isso representa apenas 5% e o restante do universo, ou seja 95%, representa a parte escura que não conhecemos. Este instrumento é capaz de nos dar informações para que conheçamos melhor esta parte escura, além disso, o BINGO também é importante para estudar pulsos muitos rápidos que são as maiores fontes de energia do universo”, explicou.

O presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), Cláudio Furtado, comentou que o Observatório é importante, porque além de pesquisar uma coisa que é fundamental para explicar a origem do universo, “ele também tem a parte de desenvolvimento, ou seja, tem toda uma infraestrutura que vai ser montada aqui na Paraíba, isso vai gerar divisas para o Estado”, disse. E reforçou: “São dois grandes espelhos metálicos de cerca de 40 metros para detectar essas microondas do universo primordial. O Governo do Estado, via secretaria e Fapesq, tem ajudado na questão da infraestrutura, com recursos financeiros e apoio nas condições de liberação do projeto. O BINGO deixará um grande legado na área científica”.


Secom-PB

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