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quinta-feira, 29 de março de 2018

"Meu coração dizia, a todo momento, que eu ia encontrar ela viva"; diz mãe sobre menina sequestrada

“Quando eu a vi, senti uma coisa boa. Meu coração dizia, a todo momento, que eu ia encontrar ela viva. Jesus me deu essa vitória”. 

É assim que Ana Maria de Paiva, mãe da menina sequestrada em João Pessoa no último dia 9, descreve a sensação de reencontrar sua filha depois de 18 dias de sequestro. Ela também contou que a criança foi muito maltratada durante o período em que esteve longe de casa.

A garota de sete anos, que estava desaparecida e foi achada no interior do Ceará nessa terça-feira (28), chegou no início da tarde desta quarta (25) à Delegacia da Infância e Juventude, no Centro da Capital, após 10 horas de viagem. Ela e a mãe vieram da cidade de Penaforte, no Ceará, onde foi localizada, acompanhadas pela polícia.

Ao Portal Correio, Ana Maria contou o que a criança relatou quando conversaram. “Ela contou muita coisa. Ela disse que pedia a todo momento pra ele [suspeito] levar ela pra casa e ele dizia, todos os dias, que ‘era hoje’, mas nunca trouxe. Ela disse que ele dava murro nela, arrastava ela pelo canavial, xingava e até obrigava ela a ir buscar comida e água pra ele, sendo ameaçada. Ele dizia que se ela não fosse, ia me matar e ia matar a família toda. Estou triste porque ela está machucada, mas feliz porque ela voltou”.

O delegado do Grupo Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, Allan Murilo Terruel, confirmou que a vítima está com hematomas, como pernas machucadas, pés arranhados e boca inchada, além dos olhos roxos. Em entrevista, ele informou que ela se recusou a fazer alguns exames. “Ela não não quer falar nada. Foi encaminhada para realizar exames e se recusou a fazê-los, mesmo acompanhada de profissionais mulheres. Aos poucos, ela relata algo. Por enquanto, as vestes foram recolhidas para detectar se há algum vestígio genético do autor da ação”.

A delegada da Infância e Juventude, Joana D’arc, explicou que a vítima será submetida a tratamentos psicológicos. “Existe recomendações do Ministério Público nesse sentido, para ela ter todo o acompanhamento, que será feito pelo Conselho Tutelar. Recebi a informação que ela se recusou a fazer exames, mas fiz a requisição para que seja realizado o mais rápido possível”.

Ainda de acordo com o delegado Allan Terruel, a vítima, apesar de não responder tudo, tinha confirmado que o suspeito pediu para que tirasse a roupa, mas que ela negou. A mãe conta também que, ao questionar a filha sobre o assunto, ela afirma que nada aconteceu.

‘Dava murro e arrastava no canavial’, diz mãe sobre menina sequestrada

Sobre o motivo do sequestro, Ana Maria, mãe da menina, acha que foi vingança. “Ele sequestrou porque é um covarde. Ele é um fraco, não é homem. Ele estava planejando, inclusive, levar ela pra São Paulo com outra mulher”.

Segundo a mãe da criança, com o acontecido, muitas lições foram aprendidas. “Confiar em todo mundo, nunca mais. O que aconteceu comigo poderia ter acontecido com qualquer pessoa. Eu botei ele dentro da minha casa porque eu conhecia ele, só não sabia do histórico. Tirei muita lição disso. Espero que a justiça seja feita, porque tenho certeza que minha filha não foi a única vítima”.

Desde que foi encontrada, a criança tem sido preservada pelo Conselho Tutelar. De acordo com a mãe, a única coisa que a filha pede é para ir para casa e não ser deixada em abrigo.

O suspeito está foragido, mas já tem prisão preventiva decretada. Segundo o delegado Allan Terruel, o homem, identificado como Maécio Damacena Silva, de 27 anos, está cercado na região da caatinga. “Ele está na mesma área, pelo mato, no Ceará. Uma equipe do GOE está lá descaracterizada, velada, há muito tempo, pronta para fazer a prisão. Acredito que daqui há alguns dias ele estará preso, se não se entregar antes”.

Reencontro

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o momento do reencontro da menina com a mãe. Nas imagens, mãe e filha se abraçam. A criança chora muito. O delegado responsável pela operação que resgatou a menina, Allan Murilo Terruel, orienta que ela e a mãe sejam levadas para conversar com uma psicóloga. O vídeo é encerrado quando elas entram no cômodo destinado ao atendimento.

Vingança

Em coletiva de imprensa concedida na tarde dessa terça-feira (27) pelo delegado do Grupo Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, Allan Murilo Terruel, e pela delegada da Infância e da Juventude de João Pessoa, Joana D’arc Sampaio, foi informado que a polícia ainda não sabe o que motivou o sequestro da menina de sete anos, mas que a mãe acredita em uma possível vingança por parte do suspeito. 



Por Isis Vilarim

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