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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Feminicídio e estupro ainda são trágicas realidades

Na manhã desse domingo (19), em Santa Rita, na Grande João Pessoa, mais um homem e uma mulher entraram para estatística da violência no estado. 

E, como de praxe, a mulher como vítima e o homem como suspeito de feminicídio. Achando que tinha o direito de decidir sobre sua vida, Ivanildo Junior, marido de Joseane França de Lima, confessou ter matado a esposa, brutalmente, com 30 facadas.

A filha da vítima e do suspeito acredita que o pai “estava possuído”. O homem alega ter cometido o crime por conta de ciúmes, em virtude de uma suposta traição. A questão, no entanto, tem a ver com poder. O feminicídio é o último e pior resultado do machismo diário que compreende que o homem detém poder sobre a mulher. E os números mostram uma realidade assustadora para quem nasce mulher.


De acordo com o Anuário de Segurança Pública da Paraíba, divulgado pela Secretaria de Segurança e Defesa Social (Seds), 76 mulheres morreram em 2017, vítimas de crimes violentos. Em relação com o ano anterior, houve uma diminuição de 22 % nos casos registrados.

Além de Joseane, só em fevereiro, mais duas mulheres foram mortas por suspeitos de praticarem feminicídio. Em Sousa, no Sertão, a 438 km de João Pessoa, uma técnica de enfermagem morreu após sofrer um atentado a tiros dentro do local em que trabalhava, uma empresa de seguros, no Centro da cidade. O suspeito é o ex-companheiro da jovem.

Nesse domingo (19), uma mulher de 37 anos foi morta a facadas, na Zona Rural da cidade de Santana dos Garrotes, no Sertão da Paraíba. O principal suspeito de ter cometido o crime é o companheiro da vítima, um homem de 39 anos.

“Violência que não tem classe social”

A violência contra a mulher é um dos crimes que não se localizam necessariamente em algum determinado segmento social. De acordo com a juíza titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de João Pessoa, Rita de Cássia Andrade, mulheres e homens de qualquer classe social estão envolvidos nesse problema.

“É uma violência que não tem classe social. Atinge a pobre, a rica, a médica, a promotora, a professora, a juíza. Teve um dia aqui na vara que só tinha suspeitos evangélicos, por exemplo. Pessoas que estão sempre na igreja. Isso, inclusive, me motivou para que gente fizesse uma palestra em uma igreja, falando sobre a violência contra a mulher”, comentou a juíza.

Estupro também é realidade

Outro caso recorrente e presente na vida das mulheres brasileiras é o crime de estupro. E, tais ocorrências, infelizmente, acontecem com pessoas do sexo feminino a partir até da infância. No último dia 13, por exemplo, um homem foi preso suspeito de estuprar a sobrinha. Uma menina de seis anos.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que organiza o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 376 casos de tentativas e estupros consumados na Paraíba em 2016. O que dá mais de uma ocorrência por dia, no estado.

Em termos de ocorrência, aliás, o Poder Judiciário tem tido muito trabalho com análises e julgamentos desses tipos de crime. Segundo a juíza titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, só na vara que ela trabalha, cerca de 10 mil processos relacionados à violência contra mulheres estão em tramitação.

Onde procurar ajuda

De acordo com Rita de Cássia de Andrade, a Paraíba possui 13 delegacias da mulher, especializadas para receber vítimas de violência, espalhadas em João Pessoa, Picuí, Sousa, Cajazeiras, Campina Grande, Bayeux, Cabedelo, Guarabira, Santa Rita, Monteiro, Patos e Mamanguape. Na Capital são duas.

Além de João Pessoa, há também um Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher em Campina Grande. Outra possibilidade de buscar ajuda é nas promotorias de Defesa dos Direitos das Mulheres, do Ministério Público da Paraíba. O Governo Federal também disponibiliza o número de telefone 180, para mulheres vítimas de violência doméstica.


Por Pedro Alves

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